Vestidos de Seda

Desejo materializado em meio desconexo
Matéria minha em terra transformada
Transfiguro em minha nobre espécie
Espécie, tipo em rara carne vermelha exposta
Posta pele sobre a mesa negra
Nega a mais nova ideia de excitação
Estação reprimida em cálculos matemáticos
Didaticos dialetos impulsivos a vontade
Tardia e atenciosa, lenta e carnal linguagem
Miragens de língua inquietas bocas liquidas
Pequeninas líricas recitadas em canal auditivo
Lasciva vontade emoldurada, nudez remediada
Aliciada ao espelho da alma filosófica desnuda
Muda boca, berrantes pernas para o ar condicionado
Condicionando meu tormento acariciado em velhos dias
Dia engolido pela boca da noite remetente volúpias lunar
Andar e andar pela casa sugadora de suor ventanias
Ias e vinhas rastejando os dedos sobre a cerâmica encerada
Baseada em meu passado riscado nas pegadas deixadas
Das mais imorais palavras pronunciadas na boca da sorte
Morte da cena proibida mordaça ao desejo que vem da calça
Causa impulsos na cabeça e lateja minha vontade
Verdade é onde devo desaguar meu passado largado.
Suado lençol que envolve o corpo magro seca o gozo esquecido ao chão.
Pão, pedaço de pano de palha deitado esquece a mulher que nua correu e esqueceu vestidos de seda.

Cavaleiro dos Sonhos

Dorme minha pequena menina
Nos braços volúveis de minha alma
Em teu ninar minha íris ciranda
Acorda tua pele alva no aroma que levo das narinas
Devo embalsamar meu pecado ao teu letargo?
Dizes sim e serei a espada que em tua carne santa penetra
Embalado em minhas caricias plenas
Em plena luz do meio dia
Por baixo dos olhares curiosos de uma cavalaria estúpida e histérica
Que nada entendes a não ser do que nunca viu
De ti entendo eu!
Dormente boca graciosa que em meus pelos arrepia os dias e as noites
Dentes famintos pela pele que te sacia em inúmeras horas nupciais
Dentro de tanto querer desenfreado e violado eis que a duvida se chama medo
Do que temes já não é mais um mistério
A bendita queda do paraíso e da coroa que lhe és posta desde o últero
Se ao final de tantos discursos dissonantes em tantos cantos onde meus sonhos mais remotos já puderam te ter te soar impróprio,
...e se ainda achares um pecado toda essa ansiedade junto ao meu fado medieval...
é pois que minha hora já é chegada
E sinceramente deves despertar me deixando nalfragado num mar de esquecimento
Será a hora em que deverás viver eternamente acordada.